Descubra a explicação matemática de por que você (ou seus conhecidos) nunca foram entrevistados por uma pesquisa eleitoral e como a probabilidade explica esse fenômeno.
Tema: Educação
Recebe novas análises sobre Educação
Avisamos quando saírem artigos novos sobre este tema, além de atualizações importantes do modelo.
Continua a leitura
Metodologia
Por que institutos apresentam resultados diferentes?
Entenda por que institutos de pesquisa apresentam resultados divergentes no mesmo período, o que é o House Effect e como as escolhas metodológicas impactam os números.
Psicologia Política
Voto Útil: Como as pesquisas guiam a escolha estratégica do eleitor
Entenda o conceito de voto útil baseado nas pesquisas, como o eleitor toma decisões estratégicas na reta final e o impacto disso nos resultados das urnas.
Psicologia Política
Pesquisas influenciam o voto? Bandwagon e voto útil
Entenda como as pesquisas influenciam o voto através do voto útil e dos efeitos manada (bandwagon) e coitadinho (underdog). Análise técnica sobre comportamento do eleitor.
Nenhum comentário ainda. Seja o primeiro a participar.
Carregando sessão...
"Se as pesquisas são reais, por que eu nunca fui entrevistado e nem conheço ninguém que tenha sido?"
Essa é, sem dúvida, a pergunta que mais ouvimos. Para muitos, o fato de nunca terem cruzado com um pesquisador de prancheta na mão é prova de que os números são inventados. Mas a explicação não é política, é matemática pura.
Estatística não é sobre indivíduos, é sobre grupos. O fato de você não ter sido ouvido não invalida o dado, da mesma forma que não ganhar na loteria não invalida o sorteio.
O Brasil tem cerca de 156 milhões de eleitores. Uma pesquisa padrão entrevista 2.000 pessoas.
Para você ter uma ideia da dificuldade de ser "o escolhido", a sua chance matemática de ser entrevistado em uma única pesquisa é de aproximadamente 0,0012%.
Para colocar em perspectiva: é muito mais fácil você ser atingido por um raio ao longo da vida do que ser selecionado para uma pesquisa específica. Mesmo que existam 10 pesquisas grandes por mês, você ainda levaria décadas para que sua probabilidade individual chegasse a 1%.
"Mas nem eu, nem meus 500 amigos no Facebook!" — você pode dizer.
Estatística não funciona somando indivíduos isolados em uma bolha. Se você e seus amigos moram no mesmo bairro, têm o mesmo nível de escolaridade e a mesma faixa de renda, vocês competem pela mesma cota.
Se o pesquisador já entrevistou alguém com o seu perfil exato na sua região, ele não precisa mais de você. Ele precisa de alguém com o perfil oposto, em outra cidade, para equilibrar a balança. O fato de você não conhecer ninguém entrevistado apenas prova que os institutos estão diversificando a amostra geograficamente.
Como explicamos em nosso guia sobre como as pesquisas eleitorais são feitas, a seleção não é aleatória como um sorteio de nomes. Ela é estratificada.
Os pesquisadores vão a locais específicos (fluxos de rua ou setores censitários) para encontrar perfis que faltam na amostra. Se eles já têm mulheres jovens de classe média o suficiente, eles vão ignorar você e procurar homens idosos de baixa renda, por exemplo.
Pense no seu corpo. Ele tem cerca de 5 litros de sangue. Quando você vai ao laboratório, o enfermeiro tira apenas 10 ml.
Você não pergunta: "Como esse tubinho sabe se eu tenho anemia se ele não tirou o sangue do meu pé ou da minha orelha?". Você entende que aqueles 10 ml, se bem misturados, representam a química de todo o seu corpo. A pesquisa eleitoral é o "tubinho de ensaio" do corpo social brasileiro.
Tendência
Por que a percepção individual engana
Tendência
Linha suavizada sobre os dados brutos de todas as pesquisas registadas.
Linha contínua = resultado oficial TSE · Linha pontilhada = histórico suavizado · Pontos = pesquisas individuais
Linha suavizada (kernel gaussiano 30 dias) · Pontos = pesquisas individuais
Por que você nunca foi entrevistado? Porque você é um em 156 milhões. A ciência das pesquisas não precisa ouvir a sua voz individual para entender o coro da multidão; ela só precisa de uma amostra que seja um espelho perfeito da diversidade do país.
E você, já cruzou com algum pesquisador na rua? Conte sua experiência nos comentários abaixo!